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Empresa de decoração cresce 30% durante a turbulência econômica e tem metas otimistas para 2009
Casa arrumada para enfrentar a crise



A arquiteta paulistana Nice de Cara enxergou em uma dificuldade a oportunidade para começar seu negócio, a Cara de Casa, especializada em desenhar e confeccionar cortinas, colchas e almofadas. Ao se deparar com a falta de empresas e profissionais qualificados para executar os projetos de tecido que criava para seus clientes, ela abriu as portas do ateliê em 2006. Com crescimento médio de 15% ao ano, a empresária chegou a 2008 convencida a trocar o sobrado de 180 metros quadrados na Vila Nova Conceição, um dos bairros mais nobres da cidade, por um espaço maior. Mas os altos preços dos aluguéis e a crise deflagrada em setembro de 2008 adiaram os planos.
Para surpresa de Nice, o ambiente desfavorável mais uma vez mostrou-se uma oportunidade para seus negócios. Entre setembro e dezembro, quando a turbulência econômica já era realidade, o faturamento da Cara de Casa saltou 30%. “Veio a crise e eu fiquei aliviada por não ter fechado um contrato de aluguel três vezes maior”, diz a empreendedora, que não esperava tanto trabalho para o último trimestre do ano passado. Para atender a todos os clientes com a infra-estrutura que tinha, negociou prazos e conseguiu agendar parte das entregas apenas para janeiro.

De acordo com o consultor especializado em redes de franquias Marcelo Cherto, as pessoas tendem a substituir determinados hábitos de compra em tempos difíceis. Os estudiosos da psicologia do consumo dizem que o consumidor compensa a impossibilidade de fazer uma viagem cara, por exemplo, por algo mais acessível, como redecorar a casa. “No auge da guerra do Iraque, quando soldados americanos estavam nas ruas, as vendas das lojas de decoração em Bagdá bateram recordes”, afirma Cherto. O fenômeno é explicado pelo fato de as pessoas terem que ficar mais tempo dentro de casa e quererem controlar ao menos o seu ambiente particular.

Além do crescimento nas vendas, a crise econômica revelou mais uma oportunidade para Nice. No final de dezembro, a empresa conseguiu alugar o mesmo imóvel que havia negociado meses antes, mas com melhores condições. Sem revelar valores, ela conta que o proprietário da casa de 380 metros quadrados aceitou sua proposta inicial – negada em maio de 2008 – e ainda ofereceu desconto nos seis primeiros meses do contrato. Animada com as conquistas, Nice tem perspectivas otimistas para este ano. “Se eu manter o faturamento do ano passado em 2009 já estarei feliz, mas sei que temos potencial para crescer de 20% a 30%”.

Pequenas Empresas & Grandes Negócios




Criado em 02/03/2009.
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